A Política Nacional de Saúde do Idoso assume que “o principal problema que pode afetar o idoso é a perda de sua capacidade funcional, isto é, a perda das habilidades físicas e mentais necessárias para realização de atividades básicas (relacionadas a ações básicas do cotidiano e que suprem as necessidades fundamentais, como o autocuidado) e instrumentais da vida diária (tarefas mais complexas, como a adaptação do indivíduo ao meio ambiente, relacionadas à mobilidade)”. Para termos uma ideia, a proporção de idosos que apresenta comprometimento em sua capacidade funcional aumenta com o avançar da idade e alguns autores apontam um declínio em torno de 12% ao ano após os 45 anos (Perracini et. al, 2009).

Nesse sentido, tendo-se em vista à promoção e reabilitação da capacidade funcional dos idosos, existem programas como a hidroginástica e a hidroterapia. A Hidroterapia é um recurso fisioterapêutico baseado em condutas e exercícios personalizados para cada pessoa ou grupos semelhantes, com o intuito de acelerar e facilitar a reabilitação. Ela trata as disfunções ortopédicas, vasculares, respiratórias, traumatológicas, neurológicas e pós-cirúrgicas.

A Hidroginástica, por sua vez, é composta por um conjunto de exercícios corporais realizados em uma piscina que visam o fortalecimento muscular, o condicionamento físico geral, cardiovascular e respiratório. Hidroterapia e Hidroginástica são duas atividades distintas, porém complementares, na medida em que oferecem em conjunto um leque de oportunidades aos idosos para prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, assim como documentado no artigo 15 do capítulo IV do Estatuto do Idoso.

Além disso, “qualquer pessoa, de qualquer idade, que tenha problema na coluna, joelho, quadril, tornozelo, osteoporose ou problemas neurológicos podem usufruir dos benefícios destes dois programas. No entanto, é necessário uma pré-avaliação e um encaminhamento do médico. Após o encaminhamento médico é realizada uma avaliação onde é traçado o tratamento mais indicado para o interessado. Uma vez que a dor é eliminada, encaminha-se o paciente para fora das piscinas para que a reabilitação também continue com a prática do exercício”, complementa a fisioterapeuta e educadora física Adriana Gomes.

Tais programas são oferecidos gratuitamente aos seus associados no SESC, em universidades públicas e, em São Caetano do Sul, o município com maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil, oferece-se aos seus munícipes com idade igual ou superior a 50 anos, em dois de seus quatro Centros Integrados de Saúde e Educação da Terceira Idade (CISEs). Atualmente, nos CISEs, há cerca de 900 cadastrados com idade igual ou superior a 50 anos, em sua maioria idosos, que participam da hidroginástica que é oferecida em turmas de 50 alunos, divididas em períodos matutinos e vespertinos.  Na hidroterapia são ofertadas 10 sessões e ao término o paciente é reavaliado para verificar se é necessária a continuidade do tratamento. O tratamento é realizado individualmente e em grupos, sendo que o atendimento individual é direcionado àqueles mais debilitados que necessitam de um tratamento mais específico.

Por fim, tendo-se em vista os benefícios do envelhecimento ativo, “processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas” (OMS, 2005). Cremos que, por intermédio de serviços de hidroterapia e hidroginástica, em conjunto com outros serviços e atividades disponibilizados nos CISEs, SESCs, universidades e, em outras instituições, criam-se oportunidades para um envelhecimento ativo e, consequentemente, para uma velhice bem-sucedida aos idosos que desejam aliviar suas dores e, ao mesmo tempo, almejam adquirir novos amigos e realizar uma atividade física.

Fonte:

BRASIL, 1999. Política Nacional de Saúde do Idoso, aprovada pela Portaria no 1.395, de 9 de dezembro de 1999. Brasília: Diário Oficial da República Federativa do Brasil, no 237-E, pp. 20-24, 13 dez. Seção 1.

Perracini MR, Fló C, Guerra RO. Funcionalidade e Envelhecimento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009: 3-22.

Texto Escrito por: Tiago Nascimento Ordonez (Diretor Científico da Associação Brasileira de Gerontologia e Gerontólogo da Coordenadoria da Terceira Idade de São Caetano do Sul), Eva Bettine e Thais Bento Lima (Presidentas da Associação Brasileira de Gerontologia e Gerontologa da Casa de Repouso Residencial em Família), Andrey Silva Lima (Coordenador da Fisioterapia dos Centros Integrados de Saúde e Educação da Terceira Idade de São Caetano do Sul) e Áurea Soares Barroso (Coordenadora da Coordenadoria Municipal da Terceira Idade de São Caetano do Sul)