A psicoeducação seria um meio de trabalhar com a adesão medicamentosa. O termo foi primeiramente empregado em meados dos anos 1980 e usado para descrever um conceito terapêutico comportamental que consistia em quatro elementos: instruir o paciente sobre sua doença, treinar a resolução de problemas, treinar a comunicação e auto-assertividade. Nesse processo, os familiares são também incluídos. No manejo de doenças crônicas, o uso de intervenções educacionais e informativas auxilia na efetividade do tratamento, no que diz respeito a comportamento, atitudes e habilidades dos pacientes, com a terapia prescrita, seja esta medicamentosa ou não (Revonato e Dantas, 2005).

Pode-se exemplificar este contexto mencionando programas que são realizados nos serviços de saúde que atendem à população brasileira. Estudos na área de promoção da saúde têm sido realizados com o objetivo de educar o paciente idoso hipertenso, diabético, hipercolesterêmico entre outros perfis, quanto ao manejo de sua doença. Como o programa Pacto pela Vida, que foi criado em 22 de fevereiro de 2006 pelo Sistema Único de Saúde (SUS), trata-se de um conjunto de medidas adotadas, para avaliar e analisar resultados e derivados da análise da situação de saúde do País. Umas das prioridades e objetivos da Portaria N°399/GM que norteia o pacto são: a saúde, promoção da saúde e atenção básica à saúde do idoso, sendo o controle da hipertensão arterial e da diabetes um de seus principais focos, visto que são algumas das doenças crônicas mais prevalentes entre os idosos. Esse controle ocorreria principalmente através de ações psico e sócio-educativas (palestras, folhetos informativos, dinâmicas de grupo, cine- debates, entre outros), realizadas em Unidades Básicas de Saúde e demais serviços que atendem a população idosa brasileira. Outra questão pontuada nesse programa é que essas ações proporcionaram embasamento para a formulação da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa.

Renovato e Dantas (2005) pontuam que o conhecimento sobre o que o paciente pensa a respeito dos conceitos de saúde, sobre sua doença e principalmente como enfrenta e convive diariamente com uma doença crônica, constituem ferramentas de grande utilidade para implementar estratégias com o objetivo de tornar o tratamento eficaz. Nessa vertente destaca-se que não se deve desprezar os saberes do paciente, pois estes trazem consigo um conjunto de crenças que devem ser consideradas na psicoeducação.

Sobre a temática pscioeducação ressalta-se que se constitui em campo fértil para a promoção da saúde da população de diferentes faixas etárias, podendo ser um dos campos de atuação do bacharel em Gerontologia. Este profissional, dentre suas competências, pode atuar na psicoeducação para o manejo de doenças e na prevenção destas, visto que apresenta conhecimentos diversificados nas diferentes áreas do saber e trabalha com o processo de envelhecimento ao longo do ciclo vital e não apenas na velhice. Destaca-se que a psicoeducação pode ser explorada de modo interdisciplinar e multiprofissional. A atuação do gerontólogo junto aos idosos que seguem tratamento farmacológico e não-farmacológico pode contribuir para a eficácia do tratamento prescrito e consequentemente para a melhor qualidade de vida dessa população. Pois se espera que após intervenção psicoeducativa de profissionais capacitados como o Bacharel em Gerontologia, os pacientes apresentem maiores conhecimentos acerca da doença e melhora nas atitudes e conscientização sobre a adoção de hábitos de vida saudáveis, assim como o controle ou prevenção de doenças crônicas.

FONTE: Texto escrito por  Por Thais Bento Lima da Silva- Gerontóloga da Casa de Repouso Residencial em Família.