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Entrevista com a Gerontóloga Thais Bento Lima da Silva

Thais Bento Lima da Silva- É Gerontóloga pela Universidade de São Paulo, Mestre em Neurologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e atualmente é Doutoranda em Neurologia, pela mesma universidade, é Presidente da Associação Brasileira de Gerontologia (gestão 2011-2013- 2013-2015) O que é a gerontofobia? Como podemos descrevê-la? A gerontofobia corresponde ao medo anormal de envelhecer e de tudo que se relaciona com a velhice. Seria uma aversão ou medo patológico de pessoas idosas ou do processo de envelhecimento. Portadores da gerontofobia costumam buscar métodos e terapias antienvelhecimento, visando alterar aspectos biológicos de toda forma possível. Do ponto de vista social, observa-se que são pessoas que se recusam normalmente a usufruir de direitos específicos para pessoas com mais de 60 anos, como por exemplo, acesso ao transporte gratuito, direito à fila preferencial em estabelecimentos, pagamento de meia entrada em eventos culturais, e consultas com profissionais da saúde especialistas em saúde do idoso. Adicionalmente evitam andar em companhia com pessoas da mesma faixa etária e costumam achar que apenas o outro está envelhecendo. Apresenta repúdio a participar de eventos e a frequentar serviços específicos para a terceira idade. Quais são as suas causas e quem ela atinge? Normalmente as causas da Gerontofobia são decorrentes da falta de orientações e informações educativas e psicológicas sobre o processo de envelhecimento, suas mudanças e particularidades que muitos indivíduos não tem acesso quando mais jovens, e que vão resultar em uma não aceitação da atual etapa da vida durante a fase de transição para a faixa etária pós 60 anos. Adicionalmente, partes das causas devem-se às experiências negativas que o individuo vivenciou, a respeito, por exemplo, de como os idosos são vistos e tratados na sociedade, tratados com preconceitos e esteriótipos, como todos sendo inválidos, rabugentos, apáticos e indiferentes, deprimidos, esquecidos, retrógrados, e frágeis fisicamente. Em outra vertente, há também os casos de pessoas que por não terem tido interação e convívio com familiares idosos em seu ciclo de vida, por questões de perdas precoces, eventos estressores, desentendimentos familiares, não tiveram como entender o que ocorre no processo de envelhecimento, o individuo permanece o mesmo, com sua história de vida, e conhecimentos preservados, porém com algumas características biológicas diferentes de outras etapas da vida. Indivíduos que tiveram um processo de aposentadoria precoce, que não se preparam para o processo pós aposentadoria, são suscetíveis a serem acometidos pela gerontofobia. Existe uma idade determinada para o desenvolvimento da gerontofobia, para homens e mulheres? Normalmente a Gerontofobia, se tornar mais prevalente entre os cinquenta e sessenta anos, quando o individuo passa a ter direito a questões específicas para a terceira idade, assim como vivencia o período de aposentadoria. Como é o perfil das pessoas que a desenvolvem? Existem consequências psicossociais geradas pela gerontofobia? Normalmente pessoas que apresentam Gerontofobia, tendem a apresentar quadros depressivos, ansiedade generalizada, isolamento social, baixa autoestima, negativismo na vida, falta de projetos de vida podendo apresentar maior suscetibilidade a prejuízos de saúde, como presença de doenças crônicas e riscos para doenças neurodegenerativas, como quadros demenciais. Quais são os tipos de tratamento indicados para essas pessoas? Para tratar a Gerontofobia, indica-se terapias individuais e grupais com profissional capacitado e especializado em atuação com idosos, pois é uma fobia, que afeta a auto estima, os projetos de vida, e o estado de humor. Acompanhamento médico com profissional Geriatra, para que a pessoa possa conhecer seu corpo e entender as mudanças fisiológicas do envelhecimento, assim aceitando as mudanças esperadas, e realizando assim hábitos de vida para uma promoção de saúde visando um processo de envelhecimento bem sucedido. Indica-se também acompanhamento Gerontológico, para desmistificar-se mitos e estereótipos do processo de envelhecimento, e assim potencializar o individuo a planejar e realizar novos projetos de vida, após os 60 anos. De modo geral sugere-se também a interação do individuo com seus semelhantes, frequentando serviços específicos para a terceira idade, para vivenciar um pouco da realidade da faixa etária, mas claro, sempre respeitando a história de vida do individuo, e seus passatempos e preferências. Qual recomendação se pode dar aos familiares das pessoas portadoras da gerontofobia? Buscar ajuda profissional Gerontológica, para que possa ser feito um plano de atenção para possibilitar que a pessoa possa, “Encarar” o processo de envelhecimento, em vez de combatê-lo pois, será mais fácil para valorizar a nós mesmos mais velhos, e vivenciar – individualmente e em conjunto tendo uma visão do ciclo de vida. Após termos falado sobre os aspectos da gerontofobia, o que você aconselharia para as pessoas que estão começando a encarar o envelhecimento? O que você diria para as pessoas terem um envelhecimento sadio? Para pensarmos em um envelhecimento bem sucedido, as sugestões Gerontológicas seriam: Ter uma melhor condição de saúde aumenta a expectativa de vida. Para isso controlar doenças crônicas, prevenir-se de doenças cardiovasculares realizando atividades físicas, ter um estilo de vida saudável de modo geral, pois promove a saúde do individuo e o torna mais longevo. Como Gerontóloga sugiro aos idosos sempre, participação em centros de convivência, em universidades abertas para terceira idade ou centros dia (este no caso de dependência funcional ou cognitiva), pois estes serviços e programas possuem atividades culturais, de lazer, de promoção de saúde, que proporcionam o aumento da expectativa de vida, além disso aumentam a rede social, evitando muitas vezes que a pessoa apresente isolamento social ou sintomas depressivos, pois na velhice a rede social dos idosos fica reduzida comparada a outras etapas da vida, em virtude da aposentadoria, morte de entes queridos e de fenômenos como o ninho vazio (quando os filhos saem de casa). É sempre bom pensarmos, somente envelhece quem está vivendo. Como o país poderia se preparar para atender melhor para oferecer uma melhor qualidade de vida a essas pessoas? É importante destacar que para um envelhecimento com melhor qualidade de vida, é preciso intervir na vida do indivíduo durante seu ciclo vital, pois o processo de envelhecimento é constante, não ocorre necessariamente na terceira idade. Envelhecemos desde o nascimento, envelhecemos enquanto estamos vivendo. O Brasil precisa se preparar atuando fortemente em campanhas educativas e de saúde, investimento em prevenção de doenças, em um estilo de vida saudável como um todo, incentivando o cosumo de alimentos saudáveis e a realização de atividades físicas e socioculturais. Deve-se investir também em capacitação e aprimoramento contínuo de profissionais que atuam diretamente com idosos, pois estando especializados, profissionais das áreas sociais e da saúde, poderão entender melhor as demandas do público idoso, uma vez que o envelhecimento é heterogêneo, do ponto de vista biopsicossocial. Por fim, a previdência social brasileira precisa se preparar para o elevado índice de aposentadorias que ocorrerá nos próximos anos, pois teremos um quadro populacional, semelhante ao de países desenvolvidos, e teremos mais pessoas beneficiadas com aposentadoria por tempo de contribuição, do que contribuintes ativos.

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