Nunca Envelhecerás

A tua cabeleira

é já grisalha ou mesmo branca?

Para mim é toda loira

e circundada de estrelas.

 

Sobre ela

o tempo não poisou

o inverno dos anos

que se escoam maldosos

insinuando rugas, fios brancos…

 

Ao teu corpo colou-se

o vestido de seda,

como segunda pele;

entre os seios pequenos

viceja perene

um raminho de cravos…

 

Pétalas esguias

emolduram-te os dedos…

E revoadas de aves

traçam ao teu redor

volutas de primavera.

 

Nunca envelhecerás na minha lembrança!…

 

(Saúl Dias, in “Sangue”)